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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

HEMINIA SILVA

terça-feira, 6 de maio de 2008

ANA MOURA

HERMINIA SILVA




Herminia Silva é, sem duvida, uma das mais populares vedetas do nos-so teatro ligeiro, merce do cunho pessoalissimo das suas interpretações, da forma inimitavel como interpreter o fado e da sua simpatia pessoal, atributos que Ihe concederam lugar de relevo no teatro musicado.
Subiu por meritos próprios, sem atropelos nem partidarismos; conquistou as plateias rápidamente com os seus ditos de espirito e com a sua arte de comunicar com o publico; impos o seu nome, como artista de personalidade.
Os contratos para actuar no Brasil e nas nossas provincias ultramarinas vieram varias vezes ao seu encontro, alguns contratos vantajosos, mas Herminia a quem nao faltava em Portugal teatros para trabalhar, não quis nunca colocar sabre eles a sua assinatura.

Vieram agora novas insistencias e a popular artista reconheceu o interesse com que se pretendia apresensa no Brasil ao publico irmão e a colónia portuguesa, que conhece apenas Hermmia Silva de nome, mas que sabe bem dos exitos por ela alcansados nos nossos palcos.
O contrato era. vantajosissimo, dos mais importantes feitos a artistas nacionais, e sobre ele a popular Herminia colocou o seu nome, não sem uma leve emocão. Iria ao Rio de Janeiro e a S. Paulo e, finda a sua temporada em Terras de Sanfa Cruz, iria até Lourenco Marques cumprir outro contrato para quinze espétaculos
Assim, no dia 20 Herminia Silva embarcada no «Vera Cruz», a caminho do Rio, contratada pelo conhecido empresdrio brasileiro Walter Pinto, a quern nesfe negocio feafral esta tambem ligado Hosa Mafeus.
O Teafro fiecreio aguarda-a e o nome da vedeta da Companhia esfa colocado na fachada, de lado a lado, iiuma demonstragao pura do mteresse que Herminia estd suscifando no Brasil,
No elenco luso-brasileiro /iguram tormbem o bailarino Dorloff, Francisco Costa, o bailarino Charles e o seu «ballef», hoje ;a famoso.
A femporada sera de quafro meses, possiveJmenfe. tres no Rio e um em S. Paulo, a nao ser que o exito jusii/ique uma ampliacao do confrato o que ndo nos parece impossivel.
Por sua vez Herminia e esperada com impacfencia em Mozambique em cuj'a capital acfuard acompanhada, enfdo, pelcs seus guifarrisfas privafivos. A popular vedeta do nosso teatro ligeiro dese;'amos sinceramen fe os melliores exitos.
Boa viagem, Herminia!

quinta-feira, 1 de maio de 2008

AMÁLIA RODRIGUES


Triste semblante o de Amália. Triste e bonito. Olhos sonhadores, aveludados, negros, boca rasgada, cabelos naturalmente ondulados. Um ar pálido na face meiga. Triste semblante o de Amália. Triste e bonito.
Nasceu num dia de Julho — o primeiro, por sinal — e pelas ruas da velha Mouraria a alegria comunicativa dos festejos populares misturou-se com transbordar eufórico do mais simples e modesto casal da Rua Martim Vaz.
Errante e nómada como todos os artistas, o pai da pequenita Amália — musico de profissão — continuou percorrendo o Pais, acorrentado, agora, por fortes elos de paixão e amor a criança que Deus ofertara aquele lar humilde e pobre. E todos eram felizes.
Celeste veio ao Mundo no Fundão, bem junto a montanhosa al­titude da Serra da Estrela. Amália tinha então três anos, e, nesse dia, recebeu o melhor e mais terno presente da sua vida de mulher e artista.
Um dia o pai decidiu: iriam viver todos para Lisboa. Celeste pulou de contentamento, alegre, cheia de vivacidade. A irmã não quebrou um só traço fisionómico. Triste semblante o de Amália, mesmo criança. Triste e bonito.
Com a sua permanência na ca­pital do Império, talvez pelo contacto com as demais raparigas da sua idade, Amália começou decorando versos e melodias. E, a noitinha, quando o luar não terno espaço para afagar a rua, e as casinhas mal alinhadas das calçadas íngremes terna de se curvar a magia da noite, Amália senta-se junto a Janela, reclina um pouco o seu perfil delineado nos contornos da meia luz e canta. Canta com um sentimento nostálgico e estranho, como nostálgica e estranha é a sua alma sofredora.
Depois, veio a escola. A reprimenda da professora, o gesto aborrecido que transparece sem se querer, o instinto natural que ordena que cante, sempre a saudade avivando o semblante triste da mais bonita e triste das artistas portuguesas.
Ainda hoje Amália recorda os seus tempos. Lembra-se, por exemplo, duma tarde em que, sem razão, foi esbofeteada na escola. O choro convulsivo da criança foi tão profundo, tão magoado, tão extenso e copioso que a mestra